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Segunda-feira, 15 de Abril de 2024
Após fase ruim , brasileiro enaltece paciência pós-Corinthians e mira Seleção na Atalanta

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Após fase ruim , brasileiro enaltece paciência pós-Corinthians e mira Seleção na Atalanta

Volante ignora especulações do Barcelona e reitera força mental para superar momento ruim no Timão: "Você tem que ter boa cabeça, mas não para quem te critica, para você mesmo"

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  Rio de Janeiro 21-02-2024 

Éderson aprendeu a ser paciente e esperar o seu momento. O volante, que há quatro anos não via perspectivas no Corinthians, agora diz viver a melhor fase de sua carreira. E em um dos times que mais encantam na Itália: a Atalanta. Aos 24 anos, ele olha para trás e vê que é possível sonhar mais. Éderson, da Atalanta, diz que vive melhor fase da carreira e se vê na Seleção

Em entrevista ao footbrazilianworld , Éderson contou como se reinventou no futebol italiano. Especialmente sob a influência de Gian Piero Gasperini. Sua Atalanta tem 11 vitórias nos últimos 13 jogos e uma sequência de seis triunfos seguidos. É semifinalista da Copa da Itália e quarta colocada na Serie A.

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O volante brasileiro é símbolo do crescimento da equipe. Éderson tem seis gols na temporada, sua melhor marca da carreira. Mas a boa fase ofensiva é apenas uma parte de sua evolução. Fruto da sua espera com calma. E resiliência para enfrentar questionamentos. Especialmente quando estava no Corinthians.

 

“Você tem que ter uma boa cabeça, saber as suas limitações, saber as suas qualidades e conseguir demonstrá-las. Mas não para quem te critica. Para você mesmo”, reiterou.

 

Éderson diz que vive sua melhor fase da carreira na atual temporada com a Atalanta — Foto: Emilio Andreoli/Getty Images

Éderson diz que vive sua melhor fase da carreira na atual temporada com a Atalanta — Foto: Emilio Andreoli/Getty Images

Éderson não esconde a frustração por ter tido pouco espaço no Timão. Mas, ao mesmo tempo, fala com carinho da chance recebida no Fortaleza e a gratidão de ter trabalhado com Juan Pablo Vojvoda. Com o argentino, o volante ganhou confiança.

 

Depois, chamou atenção de um modesto time que brigava contra o rebaixamento na Itália: a Salernitana. Em sua segunda temporada na Atalanta, ele e o clube estão firmes no G-4 e na briga pela próxima Champions League. E agora, o brasileiro fala sem dúvidas: se vê na disputa por um lugar na Seleção.

– Tenho números ofensivamente e defensivamente. Podem falar assim: ‘Ah, ele é um volante que só defende, ou ele é um volante que só ataca’. Não. Eu faço a minha função que é de volante. Defendo. Quando eu posso atacar, eu vou. Quando não, ajudo defensivamente.

 

“Estou vivendo um bom momento e com certeza penso na seleção. Eu trabalho tranquilo.

Ao ge, Éderson falou mais sobre sua evolução como jogador e em como se encontrou taticamente. O volante relembra o período difícil no Corinthians, as especulações envolvendo gigantes da Europa e sobre como o Fortaleza o marcou.

MELHOR FASE DA CARREIRA?
— Eu acho que eu acho que sim. Em números ofensivos, defensivos, estou vivendo a melhor fase da minha carreira. Fisicamente e também mentalmente. Acredito que sim, mas acho que ainda tem um pouquinho a mais aí para evoluir. Estou trabalhando no dia a dia para isso, para manter a boa fase e se possível melhorar quaisquer detalhes.

A QUE ATRIBUI ESSA MELHORA?
— Eu acho que pela questão mental. Na última temporada eu vim com uma outra expectativa, talvez de como como está sendo esta. E quando não aconteceu, eu fiquei um pouco pensativo, né? Talvez porque eu não estava entendendo 100% o Mister (Gian Piero Gasperini). Voltei com a cabeça um pouco melhor para esta temporada. Procurei entender um pouco mais do que do que estava ele estava me pedindo. Acho que que o diferencial para estar vendo se esse momento foi mais a capacidade mental.

TEVE ALGUMA MUDANÇA TÁTICA SIGNIFICATIVA?
— Acho que tem muitos detalhezinhos que eu pude aprender, pude entender com ele, mas acho que uma das coisas que me ajudaram muito, que foi diferencial. Antes, eu gostava muito de receber a bola mais no centro do campo, atrás dos meias que vinham marcar, e muitas dessas vezes eu estava de costas para o meu marcador. Então eu não consegui girar sempre e acabava usando muita força para isso, para proteger a bola, girar. Às vezes não conseguia. Acabava voltando o jogo. Ele percebeu isso e me pede até hoje para descer um pouco mais ali próximo dos zagueiros, para receber essa bola de frente, ter um campo de visão mais amplo, fazer um dois, ou se tiver muito espaço, conduzir um pouco mais a bola, mas tentar estar sempre de frente para o meu marcador e não de costas, que é um pouco mais difícil para poder dar a sequência na jogada ofensiva.

 

 

"Agora, eu vejo o que ele queria. Alguns momentos eu ainda costumo fazer isso. Mas eu sempre procuro agora estar de frente para o marcador, que é um pouco mais fácil para decidir as jogadas."

 

A PACIÊNCIA FOI ESSENCIAL PARA VOCÊ EVOLUIR NA CARREIRA?
— Acho que eu sempre assim tive um bom mental, né? Acho que até uns anos antes, um pouco mais jovem ainda, para a minha idade, sempre tive um bom mental, talvez em alguns momentos não, mas isso tudo é aprendizado. Mas acho que no geral, eu sempre tive bom mental, sim. E essa questão de às vezes as pessoas olham assim e falam: ‘Ah, regrediu’. Quando eu estava no Corinthians, eu tinha a opção de continuar mesmo naquele momento, mesmo com algumas situações que, a meu ver, não foram corretas. Mas eu tinha opção de estar ali ainda. Fiquei brigando por muito tempo e mostrando que eu podia fazer parte do elenco. Naquele momento que eu caí um pouco de produção, acho que foi no geral, o time todo estava num momento ruim. Então, acho que é normal. Quando o time todo está no momento ruim, serve trabalhar. Usar esse mental nos treinos. Fiquei muito tempo ali trabalhando, treinando separado do grupo. E aí vi que não estava adiantando, os meus esforços não estavam adiantando ali.

"Por que ficar me esforçando aqui se eu posso ir para algum outro lugar e mostrar o que eu sei? Se eles não estão me dando oportunidade aqui, eu vou para outro lugar".

 

— Foi quando eu pedi para ir para um outro clube. Isso num primeiro momento não foi aceito. Continuei treinando e tentando ainda as oportunidades e continuei sem. Aí fui uma segunda vez, acabou dando certo, fui para o Fortaleza, e lá eu mostrei que eu não tive um momento em que eu estava bem na carreira. Foi o contrário. Foi um momento que tive mau rendimento. Todo jogador passa por isso, um momento ruim. Acho que agora eu já mostrei. Tive o meu bom momento no Cruzeiro, no Corinthians, depois tive a minha má fase no Corinthians, fui bem no Fortaleza, fui bem na Salernitana, na Atalanta. O que ficou marcado foi o momento que eu passei. Sempre tive um bom mental para entender, para saber a minha capacidade e também ter a paciência de trabalhar quieto, tranquilo, sabendo que em algum momento receberia oportunidades. Tive essa cabeça de decidir o momento de que talvez a minha oportunidade não seria mais ali, seria em algum outro lugar. Então eu fui bem paciente com isso, trabalhei, e agora acho que que estou colhendo os frutos.

 

VOCÊ ACHA QUE DEU UMA BOA RESPOSTA PARA QUEM NÃO ACREDITOU EM VOCÊ?
— É uma boa resposta, mas eu não costumo pensar nisso. Mas eu não penso nisso, até porque isso mais atrapalha do que ajuda. Eu acho que isso aí não é um combustível para se manter no nível alto. Digamos que serviu muito no começo. Mas não dá para você fazer uma carreira nível Europa só com isso. Você tem que ter uma boa cabeça, saber as suas limitações, saber as suas qualidades e conseguir demonstrar elas, mas não para quem te critica, mas para você mesmo. É satisfatório pensar que você pode fazer aquilo, trabalhar e conseguir realizar. Isso é o maior combustível que que eu tive e que acho que todo jogador pode ter.

Éderson no Corinthians: "Por que ficar me esforçando aqui se eu posso ir para algum outro lugar?"  — Foto: Rodrigo Coca / Ag.Corinthians

Éderson no Corinthians: "Por que ficar me esforçando aqui se eu posso ir para algum outro lugar?" — Foto: Rodrigo Coca / Ag.Corinthians

 

QUAL FOI O IMPACTO DO VOJVODA NA SUA CARREIRA?
— Eu sempre acompanho o trabalho dele e do Fortaleza também. Estou sempre em contato com o Vojvoda, por WhatsApp, e com o Marcelo Paz (CEO do clube).

 

"Ele é um cara que me ajudou muito, um grande profissional, um grande ser humano. Foi muito mais fácil para mim quando ele chegou".

 

— Ele trabalhava sempre muito forte, sempre muito focado nos objetivos, mas também sempre muito humano, com coração muito grande, tentava ajudar todo mundo. Um técnico que costuma falar sempre com os jogadores, brinca muito sempre que pode. Por isso tenho contato com ele. Quando vou para Fortaleza, procuro encontrar com ele, falo com ele. Dou umas camisas para ele, para os filhos dele. É um cara que eu gosto de acompanhar. Sou suspeito para falar, porque eu me dei muito bem com ele.

ELE TE MARCOU?
— Marcou muito. Ele era um cara que, quando estava ali dentro de campo, era aquilo e pronto. Mas no momento que acabava, ele já parecia ser uma outra pessoa. Sempre sorridente. Acho que era muito difícil chegar de mau humor para trabalhar. Na verdade, acho que ele sempre estava sempre lá no Pici. Podia chegar mais cedo que fosse, ele já estava lá, podia ir embora mais tarde que fosse, ele ainda estava com a roupa do clube. Chegou a morar algum tempo lá antes da família dele ir para Fortaleza. Ele morou lá, então é um cara que que estava sempre 100% ali focado no objetivo dele, mas sem esquecer a parte humana. É um cara incrível, desejo sempre o melhor para ele.

 

 

A CARREIRA DE ÉDERSON

 

 

  • Atalanta (2022-presente): sete gols em 67 jogos
  • Salernitana (2021/22): dois gols em 15 jogos
  • Fortaleza (2021): três gols em 58 jogos
  • Corinthians (2020): três gols em 25 jogos
  • Cruzeiro (2018/19): dois gols em 27 jogos
  • Desportivo Brasil (2017): um gol em nove jogos

 

COMO VOCÊ SE ENXERGA NA DISPUTA POR VAGA NA SELEÇÃO?
— Sempre me vi na disputa, mas sabendo que sempre teve outros jogadores da mesma posição vivendo momento incríveis. Sempre continuei trabalhando, pensando em que em algum momento chegaria a oportunidade. E agora não é diferente. Eu continuo trabalhando. Todo jogador de futebol quer representar o seu país, vestir a camisa da seleção. Continuo no foco, acredito no meu potencial, acho que tem espaço. Tenho números ofensivamente, defensivamente. Porque podem falar assim: ‘Ah, ele é um volante que só defende, ou ele é um volante que só ataca’. Não, eu faço a minha função que é de volante. Defendo. Quando eu posso atacar, eu vou. Quando não, ajudo defensivamente. Estou vivendo um bom momento e com certeza penso na seleção. Eu trabalho tranquilo. Quero muito estar ali. Se me perguntar se acho que vou agora ou é melhor esperar... não. Acho que estou pronto, mas não depende só de mim. Continuo trabalhando e vou esperar. Teve as mudanças também de técnico na Seleção, umas confusões ali. Agora, acho que as coisas estão se normalizando. Vamos ver o que Dorival vai fazer, espero que faça um bom trabalho, mas espero também que me dê uma oportunidade.

 

COM QUEM VOCÊ ACHA QUE CONCORRE?
— Eu acho que eu tenho características de poder jogar um pouco mais recuado dependendo de quem estiver jogando. Falam muito do Joelinton, que antes era um atacante, que tem características mais ofensivas. Se eu jogar com ele, eu posso pensar mais em marcação, saída de jogo, dar uma sustentação maior para o nosso ataque, que é muito forte. O Casemiro jogou muitos anos, que defensivamente é surreal. Com ele, talvez eu possa ter um pouco mais de liberdade para ir. Mas sabendo que eu tenha força para voltar e ajudar também. Não me vejo com um ou outro, acho que posso fazer um pouco dessas duas funções.

Éderson, ao lado de Bruno Guimarães, como alvos do Barcelona para próxima temporada — Foto: Reprodução/Mundo Deportivo

Éderson, ao lado de Bruno Guimarães, como alvos do Barcelona para próxima temporada — Foto: Reprodução/Mundo Deportivo

 

COMO VOCÊ SENTE A ATALANTA NO MOMENTO?
— Acho que o grupo trabalha muito sempre pelo melhor. Nesta temporada tivemos alguns tropeços, alguns jogos que acabamos perdendo no final da partida ou entrando mal no começo. Nosso time costuma começar as partidas muito forte e depois vai se desenvolvendo. Se tem alguma equipe que acaba nos surpreendendo, por mérito dessa outra equipe, aí é dentro do jogo, porque também tem o adversário. Mas para essa temporada, com esses tropeços, a gente demorou um pouquinho para engrenar. Mas agora, a gente está ali em cima e a gente sempre fala que vamos olhar sempre para quem está na nossa frente, quem está em cima. Vamos tentar alcançar. Se der para ultrapassar, vamos ultrapassar.

 

"A gente ainda não começou a falar de Champions. A gente sempre fala: ‘Vamos chegar naquele que está na nossa frente’. Chegou? Vamos ultrapassar".

 

— A Copa Itália é diferente. É sempre naquela mentalidade, vamos ganhar, vamos passar de fase. Estamos numa semifinal são dois jogos. Em dois jogos estamos na final, com três, somos campeões. Vamos fazer o máximo possível. Com certeza, se se a gente ganhar, chegar nessa final, é uma chance muito grande de título. Com certeza esse grupo já vai ser marcado aí na história da Atalanta e com certeza eu quero.

 

SEU NOME FOI VINCULADO AO BARCELONA E AO MANCHESTER UNITED. O QUE PODE FALAR SOBRE ISSO?
— Esse assunto sempre surge. Quando aproxima as janelas de transferências, pelo menos com a maioria dos jogadores. Comigo não foi diferente. Para mim e para Atalanta foi a mesma coisa. Acho que dessa vez, por ser um dos melhores momentos da minha carreira talvez, e estar na Atalanta hoje, me impulsionou muito. Até é uma coisa que os jogadores falam muito, mas é uma coisa que eu realmente aprendi, a deixar com os meus empresários para depois me passar. Senão você fica criando uma expectativa desnecessária. Começam a surgir muitas coisas com a com a janela e você não sabe o que é verdade, o que que é mentira, o que pode ser que esteja acontecendo. Isso mais atrapalha do que do que ajuda. Então, eu deixo sempre com eles, no momento que eles falam: ‘Tem o interesse, é oficial, é isso, aquilo’, aí sim, eu começo a pensar. Desde o início eu já falei que não é o momento. Estamos muito bem no campeonato, estamos na semifinal da Copa Itália. Se fosse alguma coisa muito, muito concreta, aí o clube passaria para a gente, porque a gente tem uma boa relação com eles. Não sei até que ponto era verdade. Não cheguei a perguntar. O que eu falei era que eu queria focar nesse momento, porque é um momento muito importante para o clube, está sendo muito bom para mim também. "Estou 100% focado aqui na Atalanta".

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